Vida Automatizada - É possível retomar o sentir?

UM CORPO QUE SENTE
Para dar partida a essa conversa, gostaria de ler, como epígrafe, a letra de Alice Ruiz, da canção de Arnaldo Antunes, imortalizada na voz da cantora Cássia Eller, que diz assim:
Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor
Uma emoção pequena, qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos, dever ter alguma que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento
Acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada...
(Socorro, Arnaldo Antunes e Alice Ruiz)
Fiquemos, por hora, com a música ressoando, como pano de fundo e trilha sonora a embalar nossa discussão.
Primeiramente gostaria de dizer da minha alegria em participar dessa XVII Jornada Brasileira de Terapia Morfoanalítica. É com entusiasmo, mas também com certa apreensão, que recebi e aceitei o convite para estar aqui hoje, a fim de discutirmos e tecermos algumas reflexões em torno dessa questão tão pertinente, inquietante e desafiadora que atravessa nossos dias. A vida anda automatizada. Permeada por urgências, respostas rápidas, tempo escasso. Isto é um fato. Por que não dizer que a vida, por vezes, anda também anestesiada? Socorro! Não estamos sentindo nada? Seria possível retomar o sentir?
Interessante e instigante que essa provocação venha acompanhada de uma interrogação. É a pergunta que abre a possibilidade de um questionamento, de uma reflexão, e nos desaloja de um lugar passivo, nos convocando ao trabalho, a uma escuta ativa.
Este convite me chegou através da colega e amiga Marta Wilbert, motivado pelas discussões no espaço de trabalho de leitura compartilhada dos textos freudianos que trilhamos juntas. No Seminário de Leitura, coordenado por mim, percorrendo as Conferências Introdutórias em Psicanálise, apresentadas por Freud à comunidade médica e à leigos, em 1917, a fim de lançar luz sobre essa prática clínica ainda tão nova e, ainda hoje, tão marginal, nos deparamos com um ponto que tocou em cheio um dilema que percorre nossos dias: não se pode, ou deve, ou quer, mais sentir. Líamos em Freud os ruídos no diálogo e as dissonâncias entre Psicanálise e Psiquiatria, o corte radical que a invenção do inconsciente faz na cultura, promovendo uma terceira ferida narcísica na humanidade, onde o homem se vê não mais senhor em sua própria casa. Líamos ainda que todo sintoma porta um sentido e um enigma que precisa ser decifrado, e guarda relação com as vivências e a história do enfermo.
Psiquiatria e Psicanálise guardam aproximações, porém há uma distinção fundamental entre esses campos. Nas palavras de Freud, lemos:
“A psiquiatria não aplica os meios técnicos da psicanálise, ela prescinde de vincular o que quer que seja ao conteúdo da ideia delirante e, apontando para a hereditariedade, nos fornece uma etiologia bastante genérica e distante, em vez de primeiramente indicar as causas mais específicas e próximas. Há aí, contudo, uma contradição, uma oposição? Não se trata antes, de uma complementação? O fator hereditário contradiz o significado da vivência ou, ao contrário, ambos se juntam da forma mais eficaz? Os senhores concordarão em que não há, na essência do trabalho psiquiátrico, nada que poderia se opor à pesquisa psicanalítica. Logo, são os psiquiatras que se opõem à psicanálise, e não a psiquiatria. A psicanálise está para a psiquiatria como a histologia para a anatomia; uma estuda a forma exterior dos órgãos, ao passo que a outra se dedica ao estudo de sua constituição a partir dos tecidos e células. Não se pode conceber uma contradição entre estudos que dão continuidade um ao outro. Os senhores sabem que hoje a anatomia é a base de uma medicina científica, mas houve época em que era proibida de dissecar cadáveres a fim de conhecer a constituição interior do corpo humano; da mesma forma, hoje parece malvisto que se pratique a psicanálise com o intuito de investigar o mecanismo interno da vida psíquica. É de prever que uma época não muito distante nos trará a percepção de que uma psiquiatria dotada de profundidade científica é impossível sem um bom conhecimento dos processos mais profundos, inconscientes, que se desenvolvem na vida psíquica”. (Freud, 1917)
Lê-se ainda:
“A psiquiatria dá nomes às diversas obsessões, e nada mais diz a seu respeito. Por outro lado, enfatiza que os portadores de tais sintomas são ‘degenerados’. Isso não satisfaz; é, na verdade, um juízo de valor, uma condenação, em vez de explicação. Devemos pensar, então, que pessoas desse tipo apresentariam toda sorte de singularidades”. (Freud, 1917)
A clínica é o laboratório do analista. É a partir desse tubo de ensaio da experiência na carne que se pode ter convicção do inconsciente. Freud nos aponta que a Psicanálise não se baseia na especulação, mas sim, é fruto da experiência. E seguindo suas pegadas, Jacques Lacan nos adverte que “deve renunciar à prática da psicanálise todo analista que não conseguir alcançar em seu horizonte a subjetividade de sua época”. A partir dessa advertência, nos perguntamos: quem é o sujeito que bate a nossa porta hoje? De que sofre, o que demanda, o que deseja, o sujeito que deita em nosso divã? Quais são os sintomas de nosso tempo?
Destaco aqui, da citação de Freud, a palavra condenação. Talvez possamos, numa primeira leitura, dizer que o sujeito de nosso tempo é (está) condenado. Condenado à uma tag diagnóstica que o nomeia, aprisionado à rede de exaltação narcísica, anestesiado do seu sofrer por pílulas milagrosas, robotizado no seu sentir, mareado no mar de cristal líquido, automatizado no seu saber-fazer. Adultos, adolescentes, crianças, cidadãos wireless, intoxicados enquanto capturados e acalentados por suas chupetas eletrônicas.
Mas por que a Psicanálise numa Jornada de Terapia Morfoanalítica? Por que trazer a Psicanálise para a conversa? O que possibilitaria o enlace entre esses dois campos? Psicanálise E Terapia Morfoanalítica. É em torno desse E que vamos aqui conversar. Em torno desse ponto de interlocução que possibilita uma conjunção diante daquilo que é distinto, daquilo que reúne ali onde há separação. Psicanálise e Terapia Morfoanalítica são práticas clínicas com terapêuticas distintas, mas estão as voltas, cada uma à sua maneira, com esse sujeito contemporâneo, autômato, condenado, marcado pela subjetividade desses nossos tempos. O que podemos recolher do discurso, da teoria e prática da Psicanálise, que possa fazer também avançar o campo e a prática da morfoanálise?
Sei pouco, ou praticamente nada, sobre a prática terapêutica morfoanalítica. Estou aqui também para escutar e aprender nessa troca com vocês. Do pouco que pude, numa breve pesquisa, apreender, elegi um significante (para usar o termo lacaniano) para esse enlace. O CORPO. Decidi então começar do princípio. Do princípio da Psicanálise. E no princípio estava a histérica. É ela quem traz o corpo para a conversa e demanda que lhe deixe falar. Ao escutá-la Freud inaugura essa nova prática original e marginal. Ao dar voz a seu corpo, ao contorná-lo com palavras, ao textualizar seu sofrimento, as histéricas, históricas, vão gastando com palavras o acúmulo de afeto depositado no corpo. “Lacan diz que o afeto se evapora com as palavras da histérica, não produzindo mais sintoma, na medida em que fala” (Vieira, 2004). A histérica sofre de reminiscências e é o corpo que vem servir de suporte aos seus sintomas conversivos.
A Psicanálise veio mostrar que existem doenças que falam, no corpo e no pensamento. Que os afetos atravessam o corpo como flechas (Deleuze e Guattari), e que este é o lugar privilegiado para dizer do mal-estar. A palavra afeta o corpo e a Psicanálise atesta um fato clínico incontestável: a fala cura. “Fala é bandeira de cura, quem fala confirma o poder da palavra”, como canta Baiana System. A psicanálise é, ao mesmo tempo, uma teoria, uma prática clínica e uma investigação. Ela se funda a partir do que a ciência deixa como resto, a partir daquilo que a ciência, baseada em evidências, rechaça. É uma prática discursiva, a arte de promover a cura pela palavra, apoiada “em dois pilares bastante simples: a associação livre e a escuta flutuante”(Iannini, 2024), a única regra que fundamenta essa prática.
“A palavra que interessa à psicanálise produz efeitos “químicos” no corpo. Palavra fere, palavra faz gozar, palavra pesa. A fronteira corpo-psíquico é atravessada de um lado para o outro por esse corpo estranho que é a palavra. A psicanálise é uma cura pela palavra”. (Iannini, 2024)
O corpo para a Psicanálise não é o corpo físico, tomado como substância anatômica, recortado e costurado pela hegemonia do saber médico-científico. O corpo para a Psicanálise é um corpo de linguagem, marcado pelo significante, que guarda cicatrizes simbólicas. Um corpo que sente, que conta uma história, que fala quando alguma coisa claudica. Um corpo que sofre a incidência da palavra. Um corpo que se inquieta, que paralisa, dói, cansa, engorda, emagrece, sua, treme, vomita, cambaleia, gagueja, emudece. Um “corpo perverso e polimorfo, que grita, que chora, que suga, que esperneia, que goza em toda a sua superfície e em todos os seus orifícios” (Iannini, 2024). Nos termos freudianos, o corpo para a Psicanálise é um corpo erógeno, autoerótico, um corpo pulsional. Um corpo que sente prazer e dor, prazer na dor, ali nessa fronteira, nesse entre o psíquico e o somático. Ainda nas palavras de Gilson Iannini:
“A palavra para a psicanálise, é não apenas material, mas também exterioridade. Somos um corpo que fala, um tubo oral-anal, um vazio, um furo, em torno do qual se constitui algo que chamamos de sujeito, ou, mais precisamente, um falasser, um falente, para usar a expressão de Lacan, o ‘parlêtre’”. (Iannini, 2024)
São os corpos falantes que orientam a clínica contemporânea. É esse ente que fala, esse ser falante, “parlêtre”, que abriga o sintoma em seu corpo como resposta ao mal-estar, que nos chega, afônico, gritando por socorro.
Vivemos tempos estranhos. Paradoxais. Essa última década foi marcada por crises, golpes e retrocessos; quebra de paradigmas e inversão de valores, que vem abalando, marcando os corpos e questionando nossa forma de estar no mundo. Caetano cantou, um dia, que alguma coisa estava fora da ordem, fora da nova ordem mundial. Mas não seríamos nós, assombrados pelo horror desses novos tempos, dessa nova ordem mundial, que estaríamos fora da ordem?
A pandemia do Covid 19 fez um corte radical na cultura, marcando um antes e depois. Os anos pandêmicos colocaram em xeque nossos valores, nossas prioridades, nossas urgências. Redefiniu os laços sociais, tencionou conflitos, bagunçou os limites entre a vida pessoal e a profissional, borrou a borda da vida privada e pública, misturouo presencial e o virtual. Acreditamos na ilusão de que o mundo, os homens e seus poderes, sairiam mais “humanos” depois dessa travessia árida e desértica. Saímos. Tão humanos quanto sempre fomos. Muitos homens de bem exercendo seus podres poderes, fazendo valer a ferro e fogo, a misseis e explosões, a fake news e cancelamentos, a lógica da força do capital. Saímos. Expostos, com nossos corpos frágeis, mesmo que musculosos, a mostra, embora camuflados e desfocados pelos filtros instagramáveis.
O deserto pandêmico que cada um teve que atravessar no confinamento de si mesmo fez eco e escancarou no coletivo uma epidemia de adoecimento psíquico. O cansaço generalizado, a vida vivida no piloto automático, não deixam espaço para nenhuma brecha de vazio. Não pode faltar. Não pode sobrar. Não dá mais nem prachorar nem pra rir. Não pode sentir. Cruzamos a linha de uma cultura da transitoriedade e mergulhamos na cultura do imediatismo. Trocamos a finitude pela não durabilidade. Não há espaço vazio. Mas nós somos feitos dessa matéria chamada falta, como salienta a psicanalista Sandra Nieskier Flanzer (2020).
O cansaço ganhou estatuto de significante de nosso tempo. Estão todos, sem exceção, cansados em certa medida. Queixa diária daqueles que, de repente, são surpreendidos com um bug no seu sistema operacional e batem à porta de nossos consultórios, adoecidos, em busca de socorro, pois que alguma coisa rompeu a barreira da anestesia e escorreu pelo corpo. Quadradinho assinalado com sucesso: “não sou um robô”. Literalmente.
E por que estão tão cansados os sujeitos contemporâneos? Há que estão condenados? Como podemos ler a dobradiça daquilo que se apresenta como sintoma do adoecimento psíquico nos sujeitos e os sintomas sociais que estamos enfrentando? A partir da advertência de Lacan, precisamos ler o sujeito atravessado pelas transformações sociais e pelas marcas da cultura e da subjetividade de seu tempo. O sofrimento psíquico do homem pós-moderno encontra novas roupagens, novos formatos e significantes diversos. Para escutar o sujeito contemporâneo e sua dor psíquica é preciso estar atento aos imperativos que regem hoje nossa cultura.
Para isso recorreremos às contribuições do filósofo sul-coreano Byung-ChulHan, professor de Filosofia e Estudos Culturais na Universidade de Berlim, que trouxe para a cena contemporânea o termo sociedade do cansaço para definir as relações sociais e produtivas do século XXI. Han denuncia e analisa muito do que estamos vivendo hoje em seu livro “Sociedade do Cansaço”, publicado no Brasil em 2015, pela Editora Vozes.
Marcada pelas transformações da sociedade em rede e pelo advento maçante das tecnologias, a cultura contemporânea, imediatista, fez uma passagem da lógica da disciplina e do controle, para uma lógica do desempenho e da eficácia. Se antes o que ditava a norma social era o controle dos corpos e da produtividade, marcada pela negatividade do vigiar e punir que vinha do outro, agora o que está no comando, como palavra de ordem é a liberdade e a positividade. São corpos high tech, convocados a produzir mais, a performar na busca da sua melhor versão, ao alto rendimento, onde o imperativo é: “sim, você pode”. São sujeitos empreendedores de si mesmos e assim, seu próprio algoz. É preciso ser inteligente, incansável e sempre feliz. “Good vibes only”. O descanso é perda de tempo. “Trabalhe enquanto eles dormem” é a máxima da ambição e da conquista. A felicidade, que se impunha como um imperativo categórico até outro dia, já não basta sozinha. É preciso ser feliz e... correr uma maratona. Ser feliz... e ler todos os livros, ouvir todos os podcasts, maratonar todas as séries, dormir oito horas, preparar sua própria comida, ter autocuidado, trabalhar, viajar, fazer a mochila maluca... Ser feliz e... postar no instagram. Ser feliz e... incansável. Ser feliz e... estar medicado, anestesiado. Ser feliz e... não sentir.
Embora a felicidade seja, por estrutura, o propósito e a intenção da vida do homem, ela se mostra instantânea, fugaz, fugidia, episódica, como nos aponta Freud. “O que chamamos de felicidade no sentido mais restrito provém da satisfação (de preferência, repentina) de necessidades represadas em alto grau, sendo, por sua natureza, possível apenas como uma manifestação episódica” (Freud, 1930). A felicidade comporta em si uma quota de mal-estar.
Esse sujeito high tech, artificialmente harmonizado, hiperconectado, vai navegando a esmo, sem bússola, no mar digital. Promove seu network, fazendo seu marketing pessoal, numa expressão forçada de sucesso e felicidade a fim de alcançar o algoritmo, com a vida medida por curtidas e visualizações. Mas o que encontramos fora dos stories são sujeitos mergulhados no paradigma da alienação, do narcisismo e da insuportabilidade de suportar a frustração. Sujeitos adoecidos, aprisionados na exaustão e hiperatividade, na busca incessante da positividade, da felicidade a qualquer custo e do sucesso pessoal. Sujeitos em frangalhos, ostentando o vazio de uma vida cheia.
Sentir é insuportável. Então, refugiam-se no saber médico-científico, que tão logo lhes ofertam um transtorno para chamar de seu. Um diagnóstico que vem acompanhado de um brinde. Uma caixinha surpresa, envolta por uma tarja preta, onde se encontra uma “balinha milagrosa” que deixa o sujeito apaticamente “feliz”. Elimina assim qualquer possibilidade de subjetivação, cala sua voz, seca suas palavras e faz com que seu grito por socorro seja afônico, inaudível e ensurdecedor. Nunca foi tão fácil diagnosticar as angústias, preocupações e tristezas inerentes à vida, como “síndromes” e “transtornos”, assim como nunca foi tão farta e desnecessária a prescrição medicamentosa. A grave banalização diagnóstica a qual está condenado o sujeito, nos coloca num impasse ético diante da proliferação medicamentosa e dos interesses do capital a que ela serve.
Diante de tudo isso, como é possível retomar o sentir?
A Psicanalítica segue fazendo a aposta naquilo que é incontestável: a fala cura. A palavra afeta o corpo e falar recobra o sentir. A clínica psicanalítica não é o lugar do fenômeno, do transtorno, da síndrome, mas sim o lugar da problematização do que transtorna, daquilo que desaloja e embaraça o sujeito, daquilo que o constituiu como tal, como sujeito falante, desejante. É exigência ética na direção de cura da psicanálise quepossamos sustentar uma interrogação diante dos sujeitos que já nos chegam com seus corpos marcados, classificados, diagnosticados, medicados, robotizados, anestesiados, condenados. Essa exigência ética é de que possamos, na direção de cura, dar voz ao grito de angústia do sujeito, escutá-lo na sua singularidade, permitir-lhe retomar a palavra, falar, doer, chorar, suportar o mal-estar e trazer de volta aquilo que o torna humano, ou seja, seus afetos mais corriqueiros. Pois um homem com sua dor é muito mais elegante. E que os ópios, édens, analgésicos não toquem nessa dor, pois ela é tudo o que lhe sobra.
Viver é perigoso... nos ensina Riobaldo, no Grande Sertão. Viver não é estar feliz o tempo todo, pois a vida não está sempre bem-sucedida, plena e sem problemas. Não se está a todo instante na crista da onda do sucesso. Riobaldo também nos ensina “que o correr da vida embrulha tudo; a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. O que ela quer da gente é que possamos encarar as adversidades de frente, suportar a frustração do fracasso, enfrentar os impasses com os recursos que temos à mão. Pois a vida é real e de viés, como canta Caetano. É não linear e sem garantias, e “não há, aqui, um conselho válido para todos; cada um tem que descobrir a sua maneira particular de ser feliz” (Freud, 1930).
E a experiência analítica? O que ela nos ensina? “Nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que podemos evitar”.